quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

A mentalidade esquerdista - Parte II






Por Thomas Sowell 

          
          A esquerda há muito tempo reivindica o papel de protetora dos “pobres”. É uma de suas principais reivindicações morais para alcançar o poder político. Mas quão válida é esta reivindicação?
De fato, líderes de esquerda em muitos países têm promovido políticas que permitiram aos pobres se sentirem mais à vontade em sua pobreza, mas isso levanta uma questão fundamental: quem são realmente “os pobres”?
Se você utiliza uma definição burocrática de pobreza ao incluir todos os indivíduos ou famílias abaixo de algum nível de renda arbitrariamente estabelecido pelo governo, então é fácil obter os tipos de estatísticas sobre “os pobres”, já que são sempre lançados na mídia e na política. Mas essas estatísticas têm alguma relação com a realidade?
Pobreza” já teve algum significado concreto – quantidade insuficiente de alimentos para se nutrir, pouca roupa, ou nenhum abrigo para se proteger, por exemplo. Hoje, significa o que quer que os burocratas governamentais, – que estabelecem os critérios estatísticos –, escolhem fazer isto significar. E eles têm todo o incentivo para definir a pobreza de uma forma que inclua pessoas suficientes para justificar mais gastos no Estado de bem-estar social.
A maioria dos americanos com rendimentos abaixo do nível oficial de pobreza tem ar-condicionado, televisão, possui automóvel, e estão longe de passar fome, aliás, são até mais propensos do que os outros americanos a estar acima do peso. Mas uma definição arbitrária de palavras e números lhes dá acesso ao dinheiro dos contribuintes.
Esse tipo de “pobreza” pode facilmente se tornar um modo de vida, não apenas para os “pobres” de hoje, mas para os seus filhos e netos. Mesmo quando eles têm o potencial de se tornarem membros produtivos da sociedade, a perda dos benefícios do Estado Providente, se eles fizerem isso, é um “imposto” implícito sobre o que eles ganhariam, que muitas vezes excede o imposto explícito sobre um milionário.
Se aumentar sua renda em US $ 10.000, fizer você perder US $ 15.000 em benefícios do governo. Você faria isso?
Em suma, o Estado de bem-estar social da esquerda torna a pobreza mais confortável, enquanto penaliza as tentativas de sair dela.
A menos que acreditemos que algumas pessoas estão predestinadas a serem pobres, a agenda da esquerda é um desserviço para eles, bem como para a sociedade. As grandes quantidades de dinheiro desperdiçado não são de forma alguma o pior de tudo.
Se o nosso objetivo é que as pessoas deixem a pobreza, há uma abundância de exemplos encorajadores de indivíduos e grupos que fizeram isso, em vários países ao redor do mundo.
Milhões de “chineses expatriados” emigraram da China nos séculos passados, destituídos e, muitas vezes, analfabetos. E ao se estabelecerem em países do Sudeste Asiático ou nos Estados Unidos, começaram de baixo, assumindo trabalhos difíceis, sujos e por vezes perigosos. Mesmo que estes chineses expatriados recebessem, geralmente pouco, conservavam este pouco, e com ele, abriram negócios minúsculos.
Trabalhando longas horas e vivendo frugalmente, eles foram capazes de transformar pequenas empresas em negócios maiores e mais prósperos. Então eles cuidaram para que seus filhos recebessem a educação que eles mesmos, muitas vezes, nunca tiveram.
Em 1994, os 57 milhões de chineses expatriados criaram uma riqueza equivalente à de um bilhão de pessoas que vivem na China.
Variações deste padrão social podem ser encontradas nas histórias de judeus, armênios, libaneses e outros emigrantes que se estabeleceram em muitos países ao redor do mundo – inicialmente pobres, mas passaram, ao longo de gerações, para a prosperidade. Raramente eles dependiam do governo, e geralmente evitavam o caminho político.
Tais grupos concentraram-se em desenvolver o que os economistas chamam de “capital humano” – suas habilidades, talentos, conhecimento e auto-disciplina. Seu sucesso geralmente tem sido baseado naquela palavra de quatro letras que a esquerda raramente usa na sociedade educada: “trabalho”.
Existem indivíduos em praticamente todos os grupos que seguem padrões semelhantes para passar da pobreza para a prosperidade. E estas pessoas que estão em diferentes grupos, faz uma grande diferença para a prosperidade ou a pobreza dos grupos como um todo.
A “agenda de inveja” e o sentimento de queixa que promove a esquerda, ao mesmo tempo em que faz grandes demandas de “direitos” ao que outras pessoas produziram – é um padrão que tem sido difundido em vários países ao redor do mundo.
Esta agenda tem raramente tirado alguém da pobreza. Mas elevou a esquerda para posições de poder e auto-engrandecimento, ao mesmo tempo em que promoveu políticas com resultados socialmente contraproducentes.

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