quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

A mentalidade esquerdista - Parte II






Por Thomas Sowell 

          
          A esquerda há muito tempo reivindica o papel de protetora dos “pobres”. É uma de suas principais reivindicações morais para alcançar o poder político. Mas quão válida é esta reivindicação?
De fato, líderes de esquerda em muitos países têm promovido políticas que permitiram aos pobres se sentirem mais à vontade em sua pobreza, mas isso levanta uma questão fundamental: quem são realmente “os pobres”?
Se você utiliza uma definição burocrática de pobreza ao incluir todos os indivíduos ou famílias abaixo de algum nível de renda arbitrariamente estabelecido pelo governo, então é fácil obter os tipos de estatísticas sobre “os pobres”, já que são sempre lançados na mídia e na política. Mas essas estatísticas têm alguma relação com a realidade?
Pobreza” já teve algum significado concreto – quantidade insuficiente de alimentos para se nutrir, pouca roupa, ou nenhum abrigo para se proteger, por exemplo. Hoje, significa o que quer que os burocratas governamentais, – que estabelecem os critérios estatísticos –, escolhem fazer isto significar. E eles têm todo o incentivo para definir a pobreza de uma forma que inclua pessoas suficientes para justificar mais gastos no Estado de bem-estar social.
A maioria dos americanos com rendimentos abaixo do nível oficial de pobreza tem ar-condicionado, televisão, possui automóvel, e estão longe de passar fome, aliás, são até mais propensos do que os outros americanos a estar acima do peso. Mas uma definição arbitrária de palavras e números lhes dá acesso ao dinheiro dos contribuintes.
Esse tipo de “pobreza” pode facilmente se tornar um modo de vida, não apenas para os “pobres” de hoje, mas para os seus filhos e netos. Mesmo quando eles têm o potencial de se tornarem membros produtivos da sociedade, a perda dos benefícios do Estado Providente, se eles fizerem isso, é um “imposto” implícito sobre o que eles ganhariam, que muitas vezes excede o imposto explícito sobre um milionário.
Se aumentar sua renda em US $ 10.000, fizer você perder US $ 15.000 em benefícios do governo. Você faria isso?
Em suma, o Estado de bem-estar social da esquerda torna a pobreza mais confortável, enquanto penaliza as tentativas de sair dela.
A menos que acreditemos que algumas pessoas estão predestinadas a serem pobres, a agenda da esquerda é um desserviço para eles, bem como para a sociedade. As grandes quantidades de dinheiro desperdiçado não são de forma alguma o pior de tudo.
Se o nosso objetivo é que as pessoas deixem a pobreza, há uma abundância de exemplos encorajadores de indivíduos e grupos que fizeram isso, em vários países ao redor do mundo.
Milhões de “chineses expatriados” emigraram da China nos séculos passados, destituídos e, muitas vezes, analfabetos. E ao se estabelecerem em países do Sudeste Asiático ou nos Estados Unidos, começaram de baixo, assumindo trabalhos difíceis, sujos e por vezes perigosos. Mesmo que estes chineses expatriados recebessem, geralmente pouco, conservavam este pouco, e com ele, abriram negócios minúsculos.
Trabalhando longas horas e vivendo frugalmente, eles foram capazes de transformar pequenas empresas em negócios maiores e mais prósperos. Então eles cuidaram para que seus filhos recebessem a educação que eles mesmos, muitas vezes, nunca tiveram.
Em 1994, os 57 milhões de chineses expatriados criaram uma riqueza equivalente à de um bilhão de pessoas que vivem na China.
Variações deste padrão social podem ser encontradas nas histórias de judeus, armênios, libaneses e outros emigrantes que se estabeleceram em muitos países ao redor do mundo – inicialmente pobres, mas passaram, ao longo de gerações, para a prosperidade. Raramente eles dependiam do governo, e geralmente evitavam o caminho político.
Tais grupos concentraram-se em desenvolver o que os economistas chamam de “capital humano” – suas habilidades, talentos, conhecimento e auto-disciplina. Seu sucesso geralmente tem sido baseado naquela palavra de quatro letras que a esquerda raramente usa na sociedade educada: “trabalho”.
Existem indivíduos em praticamente todos os grupos que seguem padrões semelhantes para passar da pobreza para a prosperidade. E estas pessoas que estão em diferentes grupos, faz uma grande diferença para a prosperidade ou a pobreza dos grupos como um todo.
A “agenda de inveja” e o sentimento de queixa que promove a esquerda, ao mesmo tempo em que faz grandes demandas de “direitos” ao que outras pessoas produziram – é um padrão que tem sido difundido em vários países ao redor do mundo.
Esta agenda tem raramente tirado alguém da pobreza. Mas elevou a esquerda para posições de poder e auto-engrandecimento, ao mesmo tempo em que promoveu políticas com resultados socialmente contraproducentes.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

A Mentalidade Esquerdista - Parte I


Por Thomas Sowell


A expulsão de Adão e Eva do Paraíso (1791), de Benjamin West, 


   Quando delinquentes são chamados de "jovens problemáticos" por esquerdistas, isto nos diz mais sobre a mentalidade esquerdista do que sobre a deliquência juvenil.
Raramente há alguma evidência de que os delinquentes sejam meramente “jovens problemáticos”, na maioria das vezes há muitas evidências de que eles estão, de fato, se divertindo, enquanto criam problemas e perigos para os outros. Por que então esta desculpa embutida de chamar criminosos juvenis de "jovens problemáticos", e assassinos em série apenas de "loucos"?
Pelo menos, desde o século XVIII, a esquerda tem lutado para enfrentar o simples fato de que o mal existe – e que algumas pessoas simplesmente optam por fazer coisas que sabem que são erradas. Para justificar esta escolha, todo tipo de desculpa é usada pela esquerda para explicar e desculpar o mal: da pobreza à infância infeliz,
Por outro lado, todas as pessoas que saíram da pobreza ou tiveram uma infância infeliz, ou ambos, e se tornaram pessoas decentes e produtivas, são ignoradas, assim como os crimes cometidos por pessoas privilegiadas, criadas na riqueza, incluindo reis, conquistadores e escravocratas. Por que o mal é um conceito tão difícil para muitos da esquerda aceitar?
A base da agenda esquerdista consiste em mudar as condições externas. Mas, e se o problema for interno? E se o problema real for a obstinação dos seres humanos para o mal? Rousseau negou isso no século XVIII e também a esquerda passou a negar isso desde então. Por quê? Instinto de autopreservação.
Se as coisas que a esquerda quer controlar – instituições e políticas de governo – não são os fatores responsáveis pelos problemas do mundo, então, que função restará para a esquerda? E se forem fatores como, família, cultura e as tradições que fazem a diferença mais positiva no mundo em vez das "brilhantes" e novas “soluções” de governo que a esquerda está constantemente propondo? E se buscar "as causas do crime" não for tão eficaz quanto, simplesmente, prender os criminosos? As estatísticas mostram que a taxa de homicídios estava diminuindo ao longo de décadas sob as velhas práticas tradicionais, tão desprezadas pela intelligentsia esquerdista, antes de as novas ideias brilhantes da esquerda entrarem em vigor em 1960 – a partir de então, o crime e a violência dispararam. O mesmo aconteceu quando as ideias antiquadas sobre sexo foram substituídas em 1960 pelas novas e brilhantes ideias da esquerda que foram introduzidas nas escolas como “educação sexual”, com o objetivo de reduzir a gravidez na adolescência e as doenças sexualmente transmissíveis. Ambos, gravidez na adolescência e doenças sexualmente transmissíveis, que estavam diminuindo, de repente é revertida na década de 1960 atingindo um novo patamar.

Uma das mais antigas e dogmáticas cruzadas da esquerda tem sido o desarmamento, tanto dos indivíduos, quanto das nações. Mais uma vez, a esquerda foca em questões externas – as armas neste caso. Se as armas eram o problema, as leis de controle de armas, em acordos domésticos e internacionais de desarmamento, podem ser a resposta. Mas, e se as pessoas más que não se preocupam com as leis ou tratados internacionais, tão pouco com a vida das pessoas for o problema? Então, o desarmamento significa fazer pessoas decentes e cumpridoras da lei mais vulneráveis a pessoas más.
Como a crença no desarmamento tem sido uma das principais características da esquerda ao redor do mundo desde o século XVIII, você deve imaginar que a esta altura não haveriam muitas provas para fundamentar esta crença. Mas, qualquer evidência de que as leis de controle de armas reduziram as taxas de criminalidade em geral, ou as taxas de homicídio em particular, raramente são mencionadas pelos defensores do controle de armas. Pelo contrário, só assumiram ainda mais esta posição de que leis mais rígidas no controle de armas vão reduzir os homicídios.

Mas os fatos não dão qualquer respaldo a essa suposição. É por isso que são os críticos do controle de armas que apresentam evidências empíricas, como as presentes nos livros More Guns, less crimes (mais armas, menos crimes) de John Lott e Guns and Violence (Armas e violência) de Joyce Lee Malcolm. 

Em relação ao desarmamento de nações, o histórico é ainda pior. A Grã-Bretanha e os EUA negligenciaram suas forças militares entre as duas guerras mundiais, enquanto a Alemanha e o Japão se armaram até os dentes. Muitos soldados britânicos e americanos pagaram com suas vidas por equipamentos militares inicialmente inadequados de seus países na Segunda Guerra Mundial. 
Mas o que são meros fatos em comparação com a visão inebriante da esquerda?



Thomas Sowell é um membro sênior da Hoover Institution, Stanford University, Stanford, CA. Seu site é www.tsowell.com


quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Clássicos em PDF





             Nosso blog resolveu colocar a disposição de seus leitores algumas obras essenciais para uma adequada formação humanística. A maioria delas, já se encontra em domínio publico, facilitando ainda mais a sua difusão. 
Quanto ao valor dos clássicos aqui apresentados, dispensa-se apresentação: são obras cujo valor cultural são inquestionável, e que simplesmente traduzem com especial singeleza a alma do homem ocidental. 


segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

O espírito revolucionário



Antes de confluir para a política, para a cultura, para a religião, para a economia., a revolução, como toda revolta, começa no coração do homem, que se vê como deus e senhor, e por esta “augusta condição”, acredita que a natureza existe unicamente para satisfazê-lo. Esta insana pretensão que acomete qualquer individuo no alto de sua imaturidade, pode ser curada nas suas primeiras manifestações (geralmente na adolescência) com uma boa dose de realismo, se não, ela se alarga vertiginosamente, atingindo níveis colossais e indomáveis, até se converter numa grande explosão de ódio contra a ordem imodificável da natureza e seus inevitáveis percursos.

A revolução, portanto, tem um inicio tímido em alguns indivíduos soberbos que presunçosamente acreditam haver encontrado a formula mágica para todos os males da humanidade. O problema se deflagra quando estes indivíduos excêntricos encontram outros que seguem a mesma perspectiva e com os mesmos transtornos, – e tristemente, não são poucos os que partilham desta visão distorcida de si e da realidade.

Em uma “santa aliança”, estes indivíduos se associam para cumprir a “sagrada” missão que seus egos lhe impõem: transformar o mundo. Por amor a humanidade? Certamente não. Nunca se viu nenhum revolucionário capaz de fazer a mínima caridade que estava dentro de suas possibilidades. Pelo contrário, abundam relatos da avareza, mesquinhez e ingratidão de suas vidas. A Marx se deve os piores defeitos morais que um individuo possa ter. J. J Rousseau fora cruel e arrogante, chegando a colocar seus filhos em um orfanato para não ter com eles nenhuma responsabilidade; Voltaire, fora mercador de seres humanos. Quase todos os revolucionários eram indivíduos cheios de defeitos morais, no entanto, autossuficientes, a ponto de pensar que seriam capazes de corrigir o mundo, ao mesmo tempo em que eram incapazes de corrigir o menor de seus defeitos.  

Estes indivíduos, numa espécie de surto auto-deificante, acreditavam que suas personalidades, sua moral e suas visões de mundo, eram a medida padrão a ser adotada por toda a humanidade, de modo que o mundo não poderia evoluir se não adequar-se a estas visões e padrões de comportamento que eles apresentavam. Esta foi a receita ideal para o despontar de inúmeros tiranos.

Mas o que leva um indivíduo a atingir tal nível de prepotência e rebeldia? Em séculos bem remotos, os sábios cunharam um termo para referir-se a um fenômeno misterioso que habitava o coração do homem, e de onde emanavam todos as barbaridades que a humanidade fora capaz de perpetrar. Chamaram-na filáucia (do grego phília, amor, amizade, e autós, próprio), ou seja, o amor próprio. Mas antes de demonizar este fenômeno natural do temperamento humano, devemos explicar que o mal não é o amor próprio, mas o desvio de sua função natural. 

Todas as pessoas devem conservar um pouco de amor próprio, pois se não o tiverem, não saberão conservar amor a mais nada. Porém, como tudo nesta vida exige regras e equilibrio, o amor próprio não fugiria a esta norma. O limite que o amor próprio exigia era a consciência das limitações humanas, tais como: nossa limitada inteligência, nossa enganosa bondade, nossa triste mortalidade, nossa fragilidade e efemeridade etc. Tais limitações são simplesmente ignoradas por um espírito revolucionário, cujo amor próprio exacerbado, acabou por desaguar na terrível ilusão de uma falsa superioridade moral, intelectual, e espiritual, de modo, que um indivíduo em tal estado, chega a ignorar sua condição de simples mortal, concluindo como o prepotente Nietzsche: “Eu sou deus”.

Se o individuo se auto-deifica através de um amor próprio desordenado, na sua desvairada crença particular não haverá espaço para outra lei e nem para os imprevisíveis da vida. Frases como: “Tenho minhas próprias leis” ou “Eu faço meu destino”, são típicas da mentalidade revolucionária. 

A mentalidade revolucionária, portanto, funda-se numa escabrosa ilusão auto imposta. Mas como ninguém pode se enganar totalmente, o revolucionário adquiri ódio brutal a verdade, e por isso, distorce diabolicamente a realidade a seu bel-prazer para justificar suas crenças. Estas crenças particulares e absurdas têm implicações devastadoras: “Se não há um Deus, nem uma lei natural e divina, – pois todo homem é um deus com sua própria lei –, logo, tudo é permitido em nome dessa lei e de sua falsa divindade”. Foram conclusões como estas que fizeram a mente de todos os revolucionários que surgiram na história, e são conclusões como estas que germinam silenciosamente na cabeça de numerosos adolescentes que mal alcançaram a consciência de si, mas já se acreditam aptos para mudar o mundo. 


O espírito revolucionário

Introdução
O espírito revolucionário


O que é a Revolução? Uma simples revolta contra um estado de coisas? A deposição de um tirano? Foi isso que nos fizeram crer ao longo de séculos a respeito deste fenômeno, de modo que seu sentido chegou a nossos ouvidos belo e suave, como a expressão de um acontecimento esplendoroso e transformador. Mas, ao contrário do que nos fizeram crer, a revolução é a expressão da revolta mais radical contra uma ordem e um sentido no homem e na existência. Sua consequência natural é a tirania, e sua força motriz é o ódio.  

A revolução em sua incursão de impiedade costuma interromper a caminhada ascendente de uma civilização, e confina-la a um processo cíclico (como o próprio étimo da palavra sugere) [1],  no qual, a perda de um paraíso terreno é a razão da luta por uma redenção política, econômica, cultural,  etc.,  para assim retornar outra vez ao paraíso perdido.  Este é o movimento natural de todo processo revolucionário, que nunca sai deste círculo e nunca chega ao almejado paraíso terreno. 

Em suma: a revolução é um eterno retorno, ou tentativa de retornar a um lugar desconhecido, -- do qual, supostamente, a humanidade se afastou por algum desvio acidental --, e assim, recuperar a inocência perdida, que a ganância de um desvio político e econômico destruiu. 

Porém, ao mesmo tempo em que o espírito revolucionário incita a busca de um lugar desconhecido, -- no qual o revolucionário nunca esteve --, e a um estado ideal -- que eles nunca experimentaram --, a revolução propõe uma rejeição radical do passado em detrimento de um futuro hipotético. 
“A revolução social do século XIX, escreve Marx, não pode tirar sua poesia do passado, e sim do futuro. Não pode iniciar sua tarefa enquanto não se despojar de toda veneração supersticiosa do passado” [2]. Não é curiosa esta contradição do espírito revolucionário? Quer reconstruir a sociedade com base em um estado de coisas passadas, sem recorrer a nada do passado! São contradições como estas que fazem do espírito revolucionário um mero devaneio juvenil.


** * **

A revolução, – como expressa um autor francês do século passado –, na melhor definição já feita sobre o termo, é: 
O ódio por toda a ordem social e religiosa que não tenha sido estabelecida pelo homem e na qual ele não seja rei e deus ao mesmo tempo. É a proclamação dos direitos do homem sem respeito aos direitos de Deus; a filosofia da revolta; a política da revolta; a religião da revolta; a negação armada; a fundação do estado religioso e social sobre a vontade do homem, em lugar da vontade de Deus; em uma palavra, é a anarquia, porque quer ver a Deus destronado e o homem em seu lugar. Eis porque se chama Revolução, ou seja, ‘subversão’, porque coloca em cima, aquele que segundo a lei eterna deveria estar em baixo, e coloca abaixo Aquele que deveria estar em cima1.(GAUME, Jean-Joseph. La Révolution: Recherches Historiques. Paris: Libraires-Editeurs, 1856. p. 16-17)
De fato, não há pretensão mais clara no espírito revolucionário do que esta expressa nas palavras de Mons. Gaumé: a subversão de toda ordem que não tenha sido estabelecida pelo homem [3] 
Neste sentido, cabe dizer que nem toda insurreição armada de grandes proporções, ou revolta contra um sistema, mereça o famigerado titulo de Revolução. Para ser de fato uma revolução, precisa trazer consigo a pretensão radical de transformar toda a face da sociedade, sua moral, sua cultura, sua religião e mentalidade etc., e poucas revoltas foram capazes de tal feito, como o foram, a pseudo-Reforma Protestante, a Revolução Francesa e a Revolução Comunista. Por isso, ouso chama-las de revoluções mater, pois delas insurgiram todos os focos revolucionários subsequentes da modernidade. 
Outro ponto importante a se dizer sobre a revolução é que, todas as revoluções são feitas por um pequeno grupo de agitadores que conquista demagogicamente as massas com falsas promessas de um mundo novo. Para concretizar estas promessas, exigem que o poder politico seja concentrado em suas mãos. Por isso, dizia Marx que “toda revolução é política”, embora, sua essência seja mais espiritual que político [4].

Com esta breve introdução iniciamos uma serie de artigos sobre o espírito revolucionário. 



Notas:

1. Revolução, do latim re-volvere, ou seja, “dar uma volta”, “revolver”

2.  MARX, Karl. 18 Brumário de Luis Bonaparte. 

3. Quando afirmamos que há uma ordem que não foi estabelecida pelo homem, nos referimos a uma ordem natural que rege a natureza humana e a própria ordem social, e cujas forças estão estabelecidas por razões superiores.

4. A partir do pensamento da escola de Frankfurt, a política na ação revolucionária assume outra posição, como expressou Gyorg Lukács em 1919: “a política é apenas o meio, a cultura é o objetivo”.


sábado, 24 de dezembro de 2016

O saldo de um desastre


Por Erick Ferreira


               UM DOS FATOS QUE CORROBORARAM a deposição de Dilma Rousseff em agosto deste ano por "crime de responsabilidade fiscal" foi a realização de operação de créditos entre a União e o Banco do Brasil no âmbito do Plano Safra em 2015, violando o art. 36 da Lei de Responsabilidade Fiscal que ipse litteris declara:
"É proibida a operação de créditos entre uma instituição financeira estatal e o ente da federação que a controla, na qualidade de beneficiário do empréstimo".
Em outras palavras, significa que o governo não pode emprestar dinheiro de um banco publico. 

E este empréstimo foi feito para que finalidade? Para falsear um aumento na contabilidade fiscal (que não aconteceu como esperado) e assim, alcançar um superávit primário ideal. 
O valor retirado ilegalmente do Banco do Brasil, assim como da Caixa Econômica Federal e do BNDES, segundo o TCE, foi de mais de 40 bilhões de reais.


Pois bem, as consequências destas operações fraudulentas não tardaram em vir a tona. 
O Banco do Brasil recentemente anunciou que irá fechar mais de 400 agências em todo país. Aumentando, assim, de forma astronômica o numero de desempregados que se formou durante o governo Dilma e continua a crescer em ritmo acelerado após o impeachment.

Não obstante a face cruel deste governo e seus frutos podres, uma multidão de idiotas uteis, tão fora da realidade quanto suas utopias, repete e crê piamente que "um governo legitimo foi deposto" e que o processo de Impeachment foi um "golpe parlamentar." Acusações que beiram a loucura! Sintomas que nos remetem a uma patologia mundialmente conhecida como "Síndrome de Estocolmo", que consiste na paixão da vitima por seu agressor.
Atitudes que nos deixam ainda mais estarrecidos quando vemos estes indivíduos, -- que repetem em uníssono jargões que foram condicionados a repetir por outros marxistas, igualmente alienados -- afirmarem de cabeça erguida que "pensam criticamente". Um verdadeiro insulto à inteligência e às pessoas que aprenderam a pensar criticamente a sociedade e a si mesmos.
Se ao menos se reclusassem em seus devaneios, mas saem às ruas para defender o governo que os roubou e a ilusão na qual foram condicionados a crer. 

Há sinal mais claro de alienação do que os manifestos por essas turbas trajadas de vermelho? Acredito que não.



sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Porque você precisa ler George Orwell


Por Erick Ferreira



George Orwell em sua obra seminal, "1984", cunhou um termo que viria se consagrar nos meios intelectuais e se personificar com toda a fidelidade na postura e no discurso dos agentes modernos da revolução. O duplipensar, que nas palavras de Orwell, resume-se como a “habilidade que alguém possui de reter na mente, ao mesmo tempo, dois conceitos absolutamente contraditórios, e aceita-los, ambos, como verdadeiros”. Uma característica que se tornou comum na conduta  revolucionária. 

Quem não se sente perplexo ao ver o deputado Jean Wyllis defender com fervor a autonomia e o direito de crianças de 9 anos de idade para “mudar de sexo”, ao mesmo tempo em que repudia veementemente a diminuição da maioridade penal, servindo-se do frágil argumento de que o infrator de 16 anos não possui consciência para responder por seus crimes. Atitude semelhante que se verifica em Marilena Chauí, a sacerdotisa mor da tertúlia marxista brasileira, que de forma visceral despejou seu ódio contra a classe média, esquecendo que por seu obeso salário, também faz parte dela. O mesmo comportamento que a esquerda em geral tem em face da questão do desarmamento, contra o qual, repete ad nauseam “que a liberação das armas pode aumentar o número de homicidios”; opinião que se inverte quando se trata da liberação da maconha, neste caso, ao contrário do argumento anterior, a liberação da erva pode significar a diminuição do consumo e do tráfico. São contradições tão grotescas e escancaradas como estas que fazem do establishment nacional um correspondente fiel ao "Ministério da Verdade" (1) do romance de Orwell. 

E o mais surpreendente deste turbilhão de contradições repetidas de forma incessante é que os indivíduos que o proferem, o fazem conscientemente, com a firme convicção de suas contradições. Nos levando imediatamente a "suspeitar" de um grande embuste. 



O espetáculo mórbido de contradições no agir e no falar da "intelligentsia" não se trata de uma contradição acidental, trata-se de uma ação consciente. Cumprindo-se a risca as páginas de 1984 que diz:
"Saber e não saber; ter consciência de completa veracidade ao exprimir mentiras cuidadosamente arquitetadas; defender simultaneamente duas ideias contraditória e assim, acreditar em ambas: usando a lógica contra a lógica; repudiar a moralidade em nome da moralidade". A esquerda tem seguido a risca este trecho em seu discurso e ação.

Em suma: esta clara contradição do discurso marxista é consciente! Faz parte de uma realidade autotélica, ou seja, que só faz sentido dentro do universo lógico que se tornou o marxismo. Isto se entendermos o marxismo como realidade independente, onde tudo gira em torno da vontade revolucionária de seus líderes. Não há contradição no mundo particular do revolucionário, o que impera é a "lógica" revolucionária com suas próprias leis.

A Oceania (2), descrita no distópico romance mostra a cada dia seus sinais mais presentes em nossa sociedade, e o duplipensar cada vez mais entranhado na mentalidade das massas. 

Inclusive, um dos grandes ícones do chamado marxismo ocidental, Györg Lukács, escreveu no prefácio de seu afamado "História e consciência de classe" de 1920:
“Se a Fausto é permitido abrigar duas almas em seu peito, por que uma pessoa normal não pode apresentar o funcionamento simultâneo e contraditório de tendências intelectuais opostas quando muda de uma classe para outra em meio a uma crise mundial?”
O pensamento de Lukács parece estar em perfeita sintonia com a sociedade distópica descrita por Orwell em 1984, e o porquê desta atitude tão desconcertante é explicado nas próprias páginas do romance: “é somente apaziguando contradições que o poder pode ser mantido”. 

Isso nos leva a concluir que o comunismo é um monstro fantástico que possui a incrível capacidade de assumir e absorver as posições mais antagônicas, sem nunca alterar sua essência ou abandonar suas pretensões. 

Mas, como na trama de Orwell, dentro da nossa sociedade fragmentada pela “esquerda hegemônica”, também existem os seus Goldstein (3), que inteligentemente resolvem exceder os limites demarcados pelo "Ministério da Verdade" e sua patrulha ideológica e corajosamente transgridem os estatutos do "ingsoc" (4). A retaliação é imediata, e como em 1984, o rosto do "ideocriminoso" (5) é exposto a vexação publica, ao ostracismo brutal. Mas nada pode reprimir o lume da verdade que ressoa de seus lábios. 

São fatos como estes que fazem de "1984", mais que uma narração fictícia, mas o retrato mais fiel de nossa triste realidade e também do futuro que a ilusão revolucionária nos reserva.



Notas:

1. Nome fictício de um dos quatro ministérios que administravam as funções do governo em 1984. No romance, o Ministério da Verdade se ocupava das notícias (falsas), diversão, instrução, e belas artes dentro da Ocêania.
2. Ocêania é o país fictício onde transcorre o romance.
3. Emmanuel Goldstein é um dos inimigos máximos do Estado Totalitário que governa a Ocêania. "o traidor original, o primeiro a conspurcar a pureza do partido", como descreve Orwell. Por isso, seu rosto é exposto diariamente para a vexação publica, para que, alimentando o ódio cotidiano a sua imagem, torne o povo de Oceânia menos vúlneravel a sua influência. 
4. Ingsoc, sigla de Socialismo Inglês. O grande partido por trás de toda a máquina estatal.
5. Ideocriminoso, aquele que comete crimes de pensamento, que cultiva ou divulga ideias contrárias a ortodoxia do partido.